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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

16.Nov.18

Vazio

Já não sei mais o que me dizer. Já nem me recordo do que realmente disse, pois a mente fez esquecer. 

Questionava-me acerca do ser, do querer e do fazer. De tudo isso deixei de querer saber...

Embriaguei-me num vazio e atravesso este limbo, acarretado pelas guias do meu saber, essas que perdi, fazendo-me vaguear onde nada reconheço. 

É estranho como tão atrativo se revela, como engodo na ponta de um anzol. Infelizmente vejo-me aprisionado, já ele me encantou e puxa forte... Porque quis eu isto? 

De todas as coisas cansei-me daquela que fazia-me eu... Agora? Não me conheço, nem sei o que conhecer... Tanto pedi, tanto nisso pensei que agora, quando o alcancei, esqueci-me do porquê de o querer... Já em nada penso, para quê ignorar agora o que não existe? Havia algo no pesar da mente que me fascinava, mas de tão pesado que se tornou que a deixei guardada e fechada, num qualquer baú que perdi, estando agora esse enterrado. 

Para mim, que me leio, memoriza isto: Não penses no que queres pensar, pois fi-lo... Sonhei alto demais, tão alto que me fiz ouvir, tão alto que fez-se ouvir... Um pensamento que tinha guardado para o final. Para que fiz eu o meu fim, na primeira linha na história que queria contar?

Os quantos nomes não me chamei, o quanto não me obriguei a lutar... Para no fim revelar-se a fraqueza que me percorre, fazendo-me nunca olhar para trás. Podia ter mudado certas coisas, podia ter feito tantas outras, mas preferi não perturbar o silêncio que em mim crescia, que me confortava quando à noite tremia... Agora abandonei a fraqueza... Deixei-me numa valeta funda, e percorro a estrada que a persegue, sozinho, pois nem comigo fiz companhia... Para quê isto, sabendo que no fim haverá outro buraco para mim... Para mim, como soubesse quem escreve isto... Conhecia-me, sabendo quem era e o que odiava, tudo isso sendo passado, desconheço o que há em mim, no momento. 

Pedi para esquecer, e já não me recordo do que queria ser, depois de esquecido. Pedi ao vento que me ensinasse, e voei como ele, perdido. Pedi às árvores que me aconselhassem, e estagnei, sentindo apenas a vida correndo em mim. Gritei às pedras que me ajudassem, e endureci, a dor que sinto, sinto-a para a sentir, depois esqueço-me do que é sofrer. Mergulhei no mar para me guiar, e lá me levou ele, atravessando as ruas batizadas, os afazeres da populaça, e uma figura estranha, sem nome, perdida da sua alma, ali transitava... Chamei-a, mas tornou-se sombra e por fim nada, já o mar a lavava, purificava e enviava para um sítio longe, onde não sei a morada.

Não me recordo do porquê, de pedir para não pensar... Sei que deixei de o fazer, pois não me lembro de nada. Sabia que queria começar de novo, que tinha abandonado a escuridão que me percorria, mas sem esse casaco que tão orgulhoso vestia, não encontro mais nada.

Talvez seja assim que um ciclo realmente funcione, e que todo este vazio não seja ele em vão para todo este emaranhado sentimento, de querer sentir sem sofrimento. Conheço agora o quão insignificante é o desejo, pois nunca o quereremos realizado, não como previmos ou tínhamos guardado. 

Sucumbi ao peso de pensar. Caí estendido no solo macio do vazio mas despertei desse sono cansado, com a dor que tão bem conheço, a dor que tanto admiro, a dor que sinto!

A minha, não a do vazio, que essa abominação nem dor oferece, quanto mais um sorriso! A passividade não me pertence, pois o homem nasceu para ser agressivo! Vive para dar voltas à mente, para se atirar dum abismo, para correr num lamacento trilho e se atirar num lodoso rio! Porquê? Para quê? Porque sempre soube que no final havia algo, não um vazio...

Quero ser homem... Não um ambulante deambulado, chega de não ter caminho...

Mas ceguei-me, e por mais que a mente pense, também adormece, entregando-se à facilidade que é descansar calada... Não encontro onde ir. Não sei onde começar e por mais que tateie ao meu redor, sinto apenas paredes negras, carregadas de ódio, geladas ao tato do tanto que ainda carregam de solidão... Para o centro delas não quero voltar... Essa entrada que permaneça fechada, e espero que selada, para nenhum erro se dar... Sei que há algo mais que isto dentro de mim... Mas não sei onde encontrar.

 

Sei bem o dia em que selei o lobo que me consumia... Mas também me recordo do momento em que lhe tive carinho, e não o abati, deixando-o apenas perdido. Não me conheço sendo vingativo, mas sei lá eu já o que sou ou o que faço... Sei lá eu o que me tornei, ignorando o que fosse que pensasse... 

Impressiona-me o quão bem fiz este trabalho... Pois será com experiência própria que saberei o que silêncio significa, o que o vazio revela, por detrás da cortina. Mas para que quero eu explorar estas coisas, ainda me intriga, como se o homem vivesse isolado... São indivíduos, cabecinha minha, mas cooperam, e fazem mais do que estar calados! Para quê descobrir o silêncio, ou aprofundar-me tanto nele, sendo que se revela descontextualizado? 

Não vivo num mundo silencioso, então que não faça a vida num silêncio! Tanto escondi e não revelei que fiquei sem nada! Onde estou eu, nesta história que deixo contada? Comecei a escrever quando, e que palavras me via a apresentar? 

- Sou o ¿? e fiz (             ).

Uau, fiquei impressionado. Incrivelmente apresentei aí o que sinto.

Voltou o cansaço mas esse ainda não se revela de rastos, pois nem sabe por onde começar. Voltar a pensar é fácil, recomeçar a caminhada é simples... Mas nunca me vi capaz de seguir o trilho que tinha delineado, ou acompanhar um pensamento por tempo ilimitado... Perco-me do caminho, abandono o que pensava... Caminho perdido, penso cansado. 

Mas no meio de tudo isso sentia algo, sabia que estava ali, que estava acordado... Agora, faço-me para abandonar este fardo, este vazio que quis meu mas que o quero apenas emprestado, cansei-me... Cansei-me de não estar cansado!