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Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

Fui. Sou. Serei...

Pensamentos do (meu) mundo.

30.Set.18

Vejo-te partir

Oiço o ruído distante de uma locomotiva a vapor.

Parece aproximar-se, com os seus fumos e coloração negra, para meu desalento.

O nervosismo percorre-me, impaciente com o seu destino

Mas algo fadado é como se já tivesse acontecido.

 

Antes de partires, permites-me uma última palavra?

Bem sei que não me consegues ouvir,

Mas eu tento.

Sempre tentei, apesar que nunca o conseguisse ter dito...

 

Escondo o amor, com medo que ele deixe de o ser.

Nunca to disse, que te amava...

Mas eu nunca encontrei as palavras certas 

Apesar de dormir e acordar com elas.

 

Ainda irei a tempo? De parar esse comboio?

Nem que me ponha à frente

E que esse me arraste a carne e a alma pelo mundo fora,

Se esse mundo for contigo.

 

Vejo-te, à distância de um beijo

Mas, novamente, não há palavras nem afeto.

Apenas olhares que dizem mais do que eu.

 

Pudesse o meu dar abraços e oferecer beijos,

Mas no meu olhar encontro-te sempre à distância

E percorrem-te sempre olhos negros...

 

Peço-te desculpa mesmo sem te ter magoado,

Mas sofri sozinho, e essa dor não era algo que queria partilhada.

Bem sei que o amor é isso, 

Mas nem esse me fez de ti aproximar...

Ou era tanto ou nenhum, mas senti tudo

Que nem soube no fim amar.

 

Chegou. O vapor mistura-se entre a estação

E já mal te reconheço, de fumo e cinzas que te percorrem o rosto...

Vou-me aproximando, tateando onde estarias.

Encontro-te a mão, aperto-a forte...

Ajudei-te a subir nesse comboio.

Perdi-te para sempre...

 

O fumo dissipasse e clareia agora a estação,

Mas já vazia se encontra...

Só cá estou eu.

 

Deveria ter subido...

Deveria ter saltado!

Deveria ter parado esse comboio!

Deveria ter morrido, neste mundo onde não existes...

 

 

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